A adolescência é uma fase de transformações no corpo, nas relações, na forma de pensar e de se enxergar no mundo. É um período de descobertas, mas também de inseguranças, cobranças e dúvidas sobre quem se é e quem se quer ser.
Nem toda dificuldade dessa fase precisa de terapia. Mas, quando o sofrimento se prolonga ou começa a atrapalhar a vida, ter um espaço próprio de escuta pode fazer muita diferença.
Uma fase de muitas mudanças
Mudanças de humor, vontade de mais privacidade e maior importância dos amigos fazem parte do desenvolvimento. Ao mesmo tempo, adolescentes lidam com pressão escolar, redes sociais, questões de identidade, conflitos familiares e, muitas vezes, sentimentos que ainda não sabem nomear.
Sinais de que a terapia pode ajudar
- Isolamento persistente dos amigos e da família;
- Tristeza ou irritabilidade que se mantém por semanas;
- Queda importante no rendimento escolar ou recusa em ir à escola;
- Mudanças marcantes no sono ou na alimentação;
- Crises de ansiedade ou medo intenso de situações sociais;
- Autolesões ou falas sobre não querer mais viver.
Diante de falas sobre morte ou autolesão
Leve a sério e procure ajuda profissional o quanto antes. Em situação de risco, ligue para o CVV (188), que atende 24 horas e de graça, ou para o SAMU (192). Ouvir sem julgar e manter a calma ajudam o adolescente a se sentir seguro para falar.
Como funciona a terapia com adolescentes
No meu atendimento, recebo adolescentes a partir de 14 anos, por videochamada. Para menores de 18 anos, é necessária a autorização dos responsáveis legais antes do início do processo.
As sessões são um espaço do adolescente: um lugar para falar do que sente sem medo de bronca, comparação ou julgamento. Muitas vezes, o simples fato de ser escutado com atenção já traz alívio. A partir daí, o processo ajuda a compreender emoções, fortalecer a autoestima e encontrar formas mais saudáveis de lidar com os desafios.
O atendimento online costuma ser bem aceito nessa idade, já familiarizada com a comunicação por vídeo. É importante apenas garantir um lugar reservado em casa, onde o adolescente possa falar à vontade.
E o sigilo?
Para que a terapia funcione, o adolescente precisa confiar que o que diz não será repassado. Por isso, o conteúdo das sessões é protegido pelo sigilo profissional.
O Código de Ética do Psicólogo prevê que, no atendimento a adolescentes, os responsáveis sejam informados do estritamente essencial para promover medidas em benefício do jovem, como em situações de risco. Esses limites costumam ser combinados com clareza desde o início, com o adolescente e com a família.
"Confiar que será escutado sem ser exposto é o que permite ao adolescente falar do que realmente importa."
Como falar com o adolescente sobre a terapia
A forma como a terapia é apresentada faz diferença na disposição do adolescente para começar. Algumas ideias:
- Escolha um momento tranquilo, longe de discussões ou cobranças.
- Fale do que você percebe, sem rótulos: "tenho te visto mais cansado e quieto, e fiquei preocupado".
- Explique que a terapia é um espaço dele, com sigilo, e não um lugar para "consertar" comportamentos.
- Convide para uma primeira conversa, sem compromisso de continuar se ele não se sentir à vontade.
Quando o adolescente participa da decisão, costuma se envolver mais com o processo.
Um espaço para ser escutado de verdade
Atendo adolescentes a partir de 14 anos, com autorização dos responsáveis. Se quiser, me chame para conversarmos sobre como funciona.
Agendar uma Sessão com SarahComo os pais podem apoiar
- Apresente a terapia como cuidado, e não como castigo ou sinal de que há "algo errado" com ele.
- Respeite o espaço das sessões: evite perguntar tudo o que foi conversado.
- Esteja disponível para ouvir, mesmo quando o assunto for difícil.
- Cuide de você também: acompanhar um filho em sofrimento mobiliza, e os pais também merecem apoio.
A terapia do adolescente não substitui o vínculo com a família, mas pode ajudar a fortalecê-lo.