Decidir começar a terapia costuma ser o resultado de um tempo de reflexão. Às vezes a decisão vem depois de uma fase difícil; às vezes vem de uma inquietação que ainda não tem nome. Em qualquer caso, é natural chegar à primeira sessão com dúvidas: o que eu vou falar? E se eu travar? E se eu chorar?
A primeira sessão existe justamente para acolher essas dúvidas. Ela não é uma prova, não tem resposta certa e não exige que você chegue com um problema bem definido.
Por que a primeira sessão costuma gerar receio
Falar sobre si para alguém que ainda não conhecemos pode parecer estranho. Muitas pessoas carregam a ideia de que precisam justificar a procura pela terapia, como se fosse necessário estar muito mal para merecer esse cuidado. Não é.
Também é comum o medo de ser julgado. Por isso vale lembrar: o espaço terapêutico é construído sobre o sigilo profissional, previsto no Código de Ética do Psicólogo, e sobre uma escuta que busca compreender, e não avaliar quem você deveria ser.
Como costuma ser o primeiro encontro
Cada psicóloga tem sua forma de conduzir, mas, de modo geral, a primeira sessão tem três movimentos:
- Acolhimento: um momento para você contar, do seu jeito, o que te trouxe até ali. Pode ser algo pontual, uma sensação difusa ou apenas a vontade de se conhecer melhor.
- Conhecer a sua história: algumas perguntas ajudam a entender o contexto em que você vive: rotina, relações, trabalho, momentos marcantes.
- Combinados: conversamos sobre frequência das sessões, duração, horários, valores e sobre como funciona o sigilo. É também um bom momento para você tirar as suas dúvidas.
Na abordagem Existencial Humanista, que orienta a minha prática, não existe roteiro rígido. O ritmo é o seu. Se você precisar de silêncio, o silêncio também faz parte.
"Você não precisa saber o que dizer. Às vezes o processo começa exatamente pelo que ainda não tem palavras."
O que você pode levar para a conversa
Não é obrigatório, mas algumas pessoas se sentem mais seguras quando pensam antes em alguns pontos:
- O que te fez procurar a terapia agora: uma situação recente, algo que se repete ou uma mudança de vida.
- Como isso tem aparecido no seu dia a dia: no sono, no trabalho, nas relações, no humor.
- O que você espera do processo: mesmo que a resposta seja "ainda não sei", ela já diz alguma coisa.
- Suas dúvidas: sobre a terapia, sobre a abordagem ou sobre como as sessões funcionam.
E se eu chorar ou travar?
Tudo bem. Emoções que aparecem na sessão são bem-vindas e fazem parte do cuidado. Se as palavras não vierem, podemos seguir devagar, com perguntas mais simples, respeitando o seu tempo.
Perguntas que você pode fazer à psicóloga
A primeira sessão também serve para você conhecer a profissional e sentir se o jeito de trabalhar dela faz sentido para você. Algumas perguntas que valem a pena:
- Qual é a sua abordagem e como ela costuma conduzir as sessões?
- Com que frequência vamos nos encontrar e quanto tempo dura cada sessão?
- Como funcionam os valores, as formas de pagamento e as remarcações?
- Como é garantido o sigilo no atendimento online?
Perguntar não é desconfiança: é parte de construir uma relação de confiança desde o início. O vínculo com a terapeuta é um dos elementos mais importantes do processo, e é natural querer se sentir à vontade com ela.
Como se preparar para a sessão online
No atendimento por videochamada, alguns cuidados simples ajudam você a aproveitar melhor o encontro:
- Escolha um lugar reservado, onde você se sinta à vontade para falar sem ser ouvido.
- Use fones de ouvido, se possível, para mais privacidade.
- Teste a conexão e a câmera alguns minutos antes.
- Reserve um tempo depois da sessão, mesmo que curto, para não voltar direto para uma reunião ou tarefa exigente.
Você pode começar com um simples oi
Não é preciso ter tudo organizado para dar o primeiro passo. Se quiser, me conte um pouco do seu momento e combinamos o melhor horário para você.
Agendar uma Sessão com SarahE depois da primeira sessão?
É comum sair do primeiro encontro com uma mistura de alívio e cansaço. Falar sobre si mobiliza. Nas sessões seguintes, o vínculo vai se construindo e as conversas ganham profundidade no seu tempo.
Se em algum momento você sentir que algo não está fazendo sentido, vale trazer isso para a própria sessão. A terapia também é um espaço para falar sobre a terapia.