Decidir começar a terapia costuma ser o resultado de um tempo de reflexão. Às vezes a decisão vem depois de uma fase difícil; às vezes vem de uma inquietação que ainda não tem nome. Em qualquer caso, é natural chegar à primeira sessão com dúvidas: o que eu vou falar? E se eu travar? E se eu chorar?

A primeira sessão existe justamente para acolher essas dúvidas. Ela não é uma prova, não tem resposta certa e não exige que você chegue com um problema bem definido.

Por que a primeira sessão costuma gerar receio

Falar sobre si para alguém que ainda não conhecemos pode parecer estranho. Muitas pessoas carregam a ideia de que precisam justificar a procura pela terapia, como se fosse necessário estar muito mal para merecer esse cuidado. Não é.

Também é comum o medo de ser julgado. Por isso vale lembrar: o espaço terapêutico é construído sobre o sigilo profissional, previsto no Código de Ética do Psicólogo, e sobre uma escuta que busca compreender, e não avaliar quem você deveria ser.

Como costuma ser o primeiro encontro

Cada psicóloga tem sua forma de conduzir, mas, de modo geral, a primeira sessão tem três movimentos:

Na abordagem Existencial Humanista, que orienta a minha prática, não existe roteiro rígido. O ritmo é o seu. Se você precisar de silêncio, o silêncio também faz parte.

"Você não precisa saber o que dizer. Às vezes o processo começa exatamente pelo que ainda não tem palavras."

O que você pode levar para a conversa

Não é obrigatório, mas algumas pessoas se sentem mais seguras quando pensam antes em alguns pontos:

  1. O que te fez procurar a terapia agora: uma situação recente, algo que se repete ou uma mudança de vida.
  2. Como isso tem aparecido no seu dia a dia: no sono, no trabalho, nas relações, no humor.
  3. O que você espera do processo: mesmo que a resposta seja "ainda não sei", ela já diz alguma coisa.
  4. Suas dúvidas: sobre a terapia, sobre a abordagem ou sobre como as sessões funcionam.

E se eu chorar ou travar?

Tudo bem. Emoções que aparecem na sessão são bem-vindas e fazem parte do cuidado. Se as palavras não vierem, podemos seguir devagar, com perguntas mais simples, respeitando o seu tempo.

Perguntas que você pode fazer à psicóloga

A primeira sessão também serve para você conhecer a profissional e sentir se o jeito de trabalhar dela faz sentido para você. Algumas perguntas que valem a pena:

Perguntar não é desconfiança: é parte de construir uma relação de confiança desde o início. O vínculo com a terapeuta é um dos elementos mais importantes do processo, e é natural querer se sentir à vontade com ela.

Como se preparar para a sessão online

No atendimento por videochamada, alguns cuidados simples ajudam você a aproveitar melhor o encontro:

Você pode começar com um simples oi

Não é preciso ter tudo organizado para dar o primeiro passo. Se quiser, me conte um pouco do seu momento e combinamos o melhor horário para você.

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E depois da primeira sessão?

É comum sair do primeiro encontro com uma mistura de alívio e cansaço. Falar sobre si mobiliza. Nas sessões seguintes, o vínculo vai se construindo e as conversas ganham profundidade no seu tempo.

Se em algum momento você sentir que algo não está fazendo sentido, vale trazer isso para a própria sessão. A terapia também é um espaço para falar sobre a terapia.